Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius Duo

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CD de Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius Duo - Volume III

(Full Album)

EP de Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius Duo - Standards?

(EP)

RELEASE

Os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius iniciaram as atividades do seu duo em outubro de 2013, desenvolvendo técnicas de arranjo, composição, improvisação e interação musical. Utilizam apenas duas guitarras eletroacústicas com encordoamento liso.

Seu repertório é feito de composições próprias. Alguns temas caminham por ambientes como a balada, a bossa nova, o jazz moderno, o samba e o groove, entretanto a maioria das obras musicais compostas pelo duo não se enquadraram em gêneros e estilos musicais já formatados e difundidos. Algumas peças trazem elementos experimentais e são criadas no momento da sua execução através de jogos de improvisação ou partes literalmente livres.

A diversidade timbrística é uma das características mais marcantes do duo. Cada guitarra possui uma sonoridade muito peculiar. Enquanto Rodrigo Chenta prioriza a utilização do som acústico de seu instrumento, Ivan Barasnevicius dá mais ênfase ao som do amplificador. Outra característica marcante é o formato não-standard adotado tanto nas composições como na maneira de interpretar e improvisar de ambos os músicos.

Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius fazem os arranjos de forma coletiva e mostram como conseguem um notório entrosamento tanto musical como no âmbito das propostas artísticas.

Gravaram em 2015 o seu primeiro CD autoral intitulado "Novos Caminhos" que teve grande apreço da crítica especializada. Este trabalho traz peças escritas especificamente para a referida formação instrumental e adaptações com belos arranjos para temas compostos anteriormente.

Em 2016, lançaram o álbum "Antítese", que além de aprofundar algumas propostas do primeiro trabalho, como a diversidade de timbres e o formato não-standard, também percorre novos caminhos ao trazer tanto canções com influências da música mineira dos anos 1970 e do rock, como também novas interações através de jogos de improvisação e técnicas contrapontísticas.

Em 2017, gravaram o EP "Standards?" com duas releituras de famosos temas de standards de jazz onde exploraram formas de acompanhamentos inusitados aliados a um caráter lúdico em diversos momentos das improvisações.

No mesmo ano lançam o álbum "Volume III" onde exploraram a forma de suíte com diversos movimentos, assim como o uso de contraponto, afinações não convencionais e a influência violonística para os acompanhamentos.

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PARTITURAS

VOLUME III - 2017


Fluir no tempo

(Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta)


Guitarras 1 e 2

Maracatorto

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Suite #2

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1 (Em breve)

Guitarra 2 (Em breve)

Blues em paralelo

(Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius)


Guitarras 1 e 2

Armadeira

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Suíte do espelho

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Ponto cruz

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Suíte paternal

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1 (Em breve)

Guitarra 2 (Em breve)


ANTÍTESE - 2016


Fritando Panqueca

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Faça-se a luz!

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Crossfades

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1 e 2

Sem água

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Nove horas

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Quartais

(Rodrigo Chenta)


Guitarras 1 e 2

Novos caminhos 2

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Suite for Derek Bailey

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Antítese

(Rodrigo Chenta)


Guitarras 1 e 2

Tema pro Caguaçu

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2


NOVOS CAMINHOS - 2015


Novos caminhos

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Serra do Cafezal 3

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Mulher Brava

(Rodrigo Chenta)


Guitarra 1

Guitarra 2

Inocência

(Rodrigo Chenta)


Guitarras 1 e 2

Tema para Pietra

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Serra do Cafezal

(Ivan Barasnevicius)


Guitarra 1

Guitarra 2

Minha neném

(Rodrigo Chenta)


Guitarras 1 e 2

Valsa para Ana

(Ivan Barasnevicius)


Guitarras 1 e 2


DISCOGRAFIA

CD Volume III - Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

Volume III

2017

EP Standards? - Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

EP Standards?

2017

FREE DOWNLOAD EP

(No mobile link)

CD Antítese - Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

Antítese

2016

CD Novos Caminhos - Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

Novos Caminhos

2015

IMPRENSA

CD- ANTÍTESE

Recomendações, resenhas e impressões.


CD 'Antítese' na revista Guitarload

Guitarload

www.guitarload.com.br (Carlos Mesquita)

Em Novos Caminhos, CD de estreia de Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta, a dupla partiu de composições prontas que não necessariamente foram engendradas para a formação de duas guitarras, fato que não comprometeu o trabalho em nada. Muito pelo contrário.

Já o mais novo disco deles, Antítese, foi pensado de maneira diferente. Ivan e Rodrigo conceberam o repertório para um duo de cordas. Tal forma de compor permitiu desenvolver melhor os arranjos. Com isso, as músicas ganharam em complexidade, mas não deixaram de ser orgânicas nem de fluir com tremenda espontaneidade, o que revela um tipo de virtuosismo cada vez mais em falta no mercado.

A faixa que abre o CD é um bom exemplo. Da primeira à última nota, “Fritando Panqueca” é musicalidade pura. A bela introdução, a base bem ritmada e a melodia marcante revelam sensibilidade aguçada e personalidade própria, não por acaso características que pontuam a obra inteira.

“Faça-se a luz”, a segunda do repertório, mantem a intensidade nas alturas. Na terceira composição, “Crossfades”, os rumos mudam um pouco. Os dois não perdem, no entanto, nenhum dos méritos acumulados. Acrescentam, na realidade, mais um elemento. A ideia do título é muito bem traduzida no arranjo. Grosso modo, crossfade é um efeito colocado entre canções para não deixar buracos, emendando tudo. Na canção de Ivan e Rodrigo, a dinâmica funciona mais ou menos assim: enquanto uma guitarra aparece, a outra se retira paulatinamente de cena. A música tem um quê de experimental.

Na sequência, a sutileza embala a melodia forte e intimista de “Sem Água”. Cada acorde reforça a beleza da canção. Em “Nove Horas”, as guitarras dobradas e os trechos em que uma complementa a outra dão brilho. Em “Quartais”, a pegada experimental volta a dar as caras. Já “Novos Caminhos 2” é a apoteose do álbum. A competência da dupla transborda em cada nota executada. Cativante, “Suite #1” merece destaque pela diversidade de climas. Na faixa que batiza a obra, mais experimentações. Encerrando do CD, “Tema pro Caguaçu” é um passeio muito bem amarrado por territórios musicais variados.

Antítese é uma daquelas obras difíceis de rotular. Para que o leitor consiga ter uma pequena ideia, conjuga ingredientes de gêneros e estilos diversos, como jazz, MPB, ritmos brasileiros e até rock. É tudo isso, mas sem ser exatamente nada disso. Com talento ímpar, Ivan e Rodrigo conseguem ser originais ao misturar elementos de todas essas vertentes para criar música de primeira qualidade, coisa para poucos em tempos de inventividade limitada. E o mais incrível é que tudo soa naturalmente genial.

CD 'Antítese' no blog Pauliceia do Jazz

Pauliceia do Jazz

www.pauliceiadojazz.com.br (Luis Delcides)

Exposição de ideias opostas que resultam em uma transição gradual de um som para outro. Ou é uma aproximação de expressões de sentidos opostos ao complementar-se em uma dança sonora. Talvez seja uma das descrições mais próximas da sensação ao ouvir Antítese o novo trabalho de Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta.

Antitese é muito diferente, é fora do convencional. Para quem ouve os timbres com “gordos” – nada contra ao uso de pedais de efeito (Importante lembrar de quem escreve esta resenha não é um guitarrista, mas um tocador de violão nas horas vagas. Só um detalhe: lê partitura com razoável facilidade) , são lindos, maravilhosos, tem seus efeitos, mistérios em cada som, aplicação – mas soou diferente.

Como explicar para um leitor o supra sumo do êxtase ao ouvir um duo de guitarras? Simples assim: Sem sujeira. Sabe o som puro do instrumento? Foi o que Rodrigo Chenta em um canal usou e Ivan no outro apenas explorou o som do amplificador.

Um trabalho onde preza a qualidade sonora e as experimentações rítmicas. É perceptível essas nuances em “Quartais”, “Nove Horas” ,com suas peculiaridades sonoras, inspiradas nos sons e composições do Clube da Esquina, uma geração que marcou época no Brasil, bem no advento do Rock Progressivo dos anos 1970.

O novo CD do duo Barasnevicius e Chenta é difícil descrever, resenhar em palavras a sensação de atenção, detalhes e texturas sonoras aguçadas em um trabalho tão marcante, com um cuidado especial em cada composição. Só ouvindo pra ter essa experiência sensorial após 10 audições do álbum.

CD 'Antítese' no site Informação Musical

Informação Musical

www.informacaomusical.com (Redação)

Neste segundo CD é facilmente perceptível o alto nível nas composições e arranjos musicais. Ouvem-se solos improvisados e que produzem climas muito interessantes. É um álbum que explora o conceito de Antítese com linguagens díspares como o diálogo entre jogos de improvisação e melodias em canções com influência mineira. Outro destaque é a grande diferença do timbre das guitarras acústicas, já que duos do tipo tendem a soarem sempre iguais. Várias composições são difíceis de enquadrar em algum gênero, pois fogem do tradicional formato standard.



CD 'Antítese' no blog do Gustavo Cunha

Gustavo Cunha

www.gustavoccunha.blogspot.com.br

Os guitarristas Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta apresentam o álbum Antítese, o segundo do duo, trazendo um repertório totalmente autoral em que elementos experimentais são criados no momento da execução, fazendo uso de jogos de improvisação e aplicando partes literalmente livres.

Muita interação entre eles, passeando pelos ritmos brasileiros, a bossa, o jazz moderno, o samba e o groove. Como eles afirmam, a diversidade de timbres é uma das características mais marcantes do duo. Rodrigo Chenta, no canal esquerdo, prioriza a utilização do som acústico de seu instrumento; Ivan Barasnevicius, no canal direito, dá mais ênfase ao som do amplificador. O álbum foi gravado ao vivo, sem overdubs, e o resultado é espetacular, mostrando mais uma vez a nossa música instrumental em estado de excelência.

CD 'Antítese' no depoimento de Rodrigo Vettorazzo

Rodrigo Vettorazzo

Impressões

Diferenças em relação ao primeiro álbum do duo era uma das promessas de "Antítese". Com apenas duas guitarras seria possível lançar um conjunto de dez músicas novas que se diferenciassem notavelmente das anteriores?

É um tanto clichê apontar essa característica, mas creio caber bem: foi necessário ousadia por parte de Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius. Se o primeiro disco indicava a abertura de novos caminhos, como o próprio título sugerira, conquistando conforto e estilo, este segundo foi a virada inesperada em uma curva acentuada, a debandada da área de proteção. É quase uma instalação sonora.

O primeiro contato que tive com o que viria a se tornar o disco "Antítese", meses antes de seu lançamento, fora com as faixas "Novos Caminhos 2" e "Nove Horas" disponibilizadas pelo YouTube. "Nove Horas", na época, me chamou muito a atenção por conta da quebra: a música começa, cria um ambiente ao seu redor, constrói um cenário rapidamente para então quebrá-lo. O próprio som da frase que muda a música bruscamente lembra um som de quebra. Mas o rompimento é rápido, e logo és inserido novamente no ambiente de antes, agora já território conhecido. Este é o enredo: ambientaliza, desperta com uma "quebra", para em seguida retornar.

A "quebra" está bastante presente no álbum. A começar pela capa na qual as imagens estão invertidas em relação ao nome do duo - Ivan primeiro, Chenta depois. Já nisto, intencional ou não, pode ser revelado que não estou em mãos com uma obra fechada. Não é para ser concreto, geométrico, facilmente digerível. A interrogação é parte do conjunto. Nas duas faixas curtas esta indagação é bem visível: "Quartais" começa, parece que pegará força, e quando o ouvinte já a compreendeu e quer ouvir o que tem a dizer, ela simplesmente o abandona, terminando sem se explicar muito; já "Antítese", a faixa título, intriga! A guitarra é fisicamente usada ali. A própria madeira vira som - é orgânico, palpável, tateável. Sempre espero que a faixa título traga em si a razão para dar nome ao álbum. Sempre espero que não se revele como escolha aleatória, e sim que intuitivamente sejam percebidos os motivos para que aquela faixa nomeie toda a obra. No caso, a quase caótica "Antítese" cumpre tal expectativa.

Conversando com Ivan a respeito do primeiro disco na época que foi lançado, disse a ele que havia percebido como um álbum urbano. Mais especificamente começando com uma visita ao interior nas duas primeiras faixas e na sequência voltando à cidade grande. É um álbum ensolarado que tem cara de praça, ruas arborizadas, paisagem da janela do ônibus, raios de sol entrando pela janela da sala. Já "Antítese" percebi como um álbum noturno. Tem o charme da noite. Combina ser ouvido no silêncio da madrugada, solitário. Assim como no anterior, também enxerguei uma storyline: inicia-se de tardinha com as duas mais alegres do álbum, "Fritando Panqueca" (festiva) e "Faça a Luz!", para depois anoitecer. "Faça-se a Luz!", aliás, que tem uma "dança" encantadora das guitas - não diálogo, e sim dança, um passo aqui, um passo acolá - passa ideia de ansiedade. Muito espirituoso foi saber que Ivan a compôs num momento de inquietação quando faltou energia em sua casa e tinha várias coisas a fazer.

É na terceira faixa, "Crossfades", que começa o cair da noite. "Crossfades" é aquele momento em que não é nem noite nem dia. Em que não se sabe se dá "boa tarde" ou já "boa noite". Me levou pra confusão do fim do dia, quando os carros estão em peso na rua, o transporte público cheio, todos querendo escapar rapidamente das obrigações e da burocracia, para ao final me levar à calmaria extrema que fica na cidade quando já é tarde da noite. A aparição de tantas frases e propostas diferentes na música uma seguida da outra, uma quase atropelando a outra, trouxeram à encrenca das 18h de um dia de semana. Até que chega uma calmaria na música e que permanece, como se todos os carros já tivessem deixado as avenidas, o metrô vazio prestes a fechar, os grilos já audíveis.

Daí até o final é noite em "Antítese". Mesmo sabendo que "Nove Horas", por exemplo, segundo o próprio Ivan, refere-se às nove horas da manhã. Taí uma das graças da arte, a possibilidade de atingir cada um de maneira personalizada. Tenho afeto especial por "Nove Horas" devido a um singelo episódio: numa sexta-feira estava parado em um farol da Avenida Dom Pedro I e, então, ao começar a tocar tal música no celular, olhei no relógio do carro e vi que eram exatamente 21h. Foi o momento em que minha impressão a respeito do álbum e desta faixa em particular se materializaram diante dos olhos, andando por aquela avenida naquele exato horário que se apresentava exatamente como havia percebido a música, o momento em que muitos já se recolheram dentro de seus lares enquanto alguns ainda estão circulando.

Quando Ivan me contou que o título de "Nove Horas" se referia na verdade ao período matutino conversamos sobre títulos: o quanto títulos podem, dependendo do ouvinte, direcionar à visualização de imagens mentais a partir do que se ouve? "Sem Água" é uma na qual creio que o título leve bastante importância. Chenta já havia revelado que a inspiração para a própria vem da crise hídrica de São Paulo. É a mais melancólica do duo até o momento, a de maiores vazios. Não há pressa na execução, deixando as notas soarem solitárias até o final, acabarem como a água acabou. Curiosamente me lembrou sertão, apesar da inspiração urbana. Soou quase caipira.

"Novos Caminhos 2" é interessantíssima. O diálogo com a faixa título do primeiro disco é facilmente perceptível. Se a "Novos Caminhos" do primeiro apresentava tom um pouco triste, em "Novos Caminhos 2" as frases que estabelecem o diálogo com a anterior são executadas pra cima, mais esperançosas. A volta toda que esta música dá é longa e cheia de ambiente diferentes, porém, o (novo) caminho entre cada ambiente da música é elegantemente percebido. E é literalmente uma "volta", retornando no final ao primeiro dos ambientes, reencontrando às primeiras frases já familiares. Impossível terminar de ouvi-la sem um sorriso largo no rosto.

"Suite #1 (For Derek Bailey)" é um espetáculo com 3 atos: começa bem, te envolve e é até aconchegante, até que cai. Agoniza legal, sofre, parecendo que vai sucumbir a qualquer momento. E aí renasce. Respira novamente. Belíssima faixa, dramatúrgica, literária. Se é um tanto comum em músicas instrumentais me virem imagens na cabeça, nesta não veio nenhuma, eram os sons e somente os sons contando uma história com começo, conflito e final.

Estava bastante curioso para ouvir "Tema pro Caguaçu" por saber que Caguaçu se trata de um local que fora descaracterizado nos últimos anos graças à urbanização. O que chamou-me muita atenção nesta foi o conflito. Se em "Faça a Luz!" as guitas dançam uma com a outra, nesta tive a impressão de que tudo ia bem, porém, em certo momento, elas propositalmente entraram em desentendimento e deixaram de falar a mesma língua. Não é um duelo, é uma discussão. Mas, claro, logo se entendem. Se é convenientemente esperado que os últimos sons de um álbum façam algo de especial já que carregam a responsa de encerrarem a obra, neste caso, fazendo jus à toda não-obviedade do disco, não ocorre isso: a última faixa termina simples, se retirando apenas, sem muita despedida. Apaga as luzes e vaza com um aceno tímido.

A escolha da estética do encarte foi certeira. Imagens em preto e branco dão ideia de serenidade. É a serenidade da madrugada na qual quem fica acordado é porque está querendo resolver algo. Levei um tempo para compreender que os símbolos ao lado das imagens eram um código para identificar o fotógrafo: tinha achado que eram uma mera opção estética, que condizia - e, mesmo não sendo "só" estética, continua condizendo - bastante com o título "Antítese".

CD 'Antítese' no blog do Celso Barbieri

Antonio C. Barbieri

www.celsobarbieri.co.uk

Antítese

Escutando este álbum, fiquei em dúvida… terei capacidade para escrever algo compatível com o nível deste trabalho? Em 2015 quando recebi o primeiro trabalho desta dupla virtuosa chamado Novos Caminhos cheguei até a sugerir que o mesmo poderia ser um novo caminho para o Jazz mas, agora com seu no álbum recém lançado chamado Antítese, me pergunto novamente, se este não é um novo caminho para a Música Popular Brasileira? Bom, a bem da verdade, de popular este trabalho não tem nada pois, como no álbum anterior, o mesmo, devido ao nível técnico de execução, beira o tempo todo o Jazz e a música erudita.

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra Antítese representa uma figura pela qual se salienta a oposição entre duas palavras ou ideias. Bom, em qualquer sistema de raciocínio que procure chegar a verdade através do uso da argumentação, certamente acabaremos usando a “tese”, a "antítese" e a "síntese". Por exemplo, o "Inferno" é uma antítese do "Paraíso" assim como a "desordem" é uma antítese da "ordem". Antítese será então, uma justaposição de ideias contrastantes, opostas, geralmente usadas de uma forma coerente e balanceada.

E na música? Acredito que, nossos amigos Chenta e Barasnevicius, com uma técnica absurda, foram lá no caldeirão da música brasileira e colheram pedacinhos de bossa-nova, samba, baião, etc. e de forma minimalista buscaram chegar na essência da coisa, para depois reciclarem este material, repetindo-o, já vestido com uma nova roupagem que imediatamente remeteu-me ao Jazz só que, curiosamente fiquei sempre com aquela impressão de que nunca musicalmente saí do Brasil. É a “antítese” do velho, sem perder as suas origens. É a “antítese” do “Jazz” sem deixar de homenagear e respeitar os grandes mestres norte americanos do passado. É a “antítese” da “MPB” sem nunca deixar de soar "bem brasileiro".

Chamar este trabalho de música para as massas, de música fácil, seria um grande erro, mas, realmente não posso deixar de tirar o meu chapéu, porque senti a confluência dos estilos em composições perfeitas assim como um nível e qualidade da gravação maravilhoso que, somado à dedicação mostrada por Chenta e Barasnevicius torna Antítese um álbum essêncial, principalmente aos amantes da boa guitarra, acústica ou não.

Escutando este novo trabalho ficou claro que certamente estes músicos seriam muito mais respeitados e apreciados no exterior onde existe um público mais receptivo a este tipo de material sonoro. Só posso desejar que Chenta e Barasnevicius tenham a tenacidade para continuar criando, fazendo e nos brindando sempre com material desta qualidade! Parabéns!



CD- NOVOS CAMINHOS

CD 'Novos Caminhos' na revista Guitar Player'

Guitar Player

www.guitarplayer.com.br (Rodolfo Rocha)

Tocar em duo traz os desafios e as oportunidades bastante peculiares dessa formação: o entrosamento entre os músicos deve ser impecável, a liberdade permite que a criatividade se sobressaia, a exposição sonora propicia o destaque do talento dos músicos. Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius aproveitaram todas as oportunidades e superaram os desafios na gravação do primeiro álbum do duo, Novos Caminhos. E são exatamente os novos caminhos sonoros trilhados pelos dois guitarristas que se destacam nesse trabalho. Em cada uma das 12 músicas do disco, Chenta e Barasnevicius exploram uma enorme variedade de andamentos, ritmos, timbres, arranjos e texturas. O resultado é um som instrumental interessante do começo ao fim, sem espaço para mesmice e lugar-comum.

CD 'Novos Caminhos' na revista Cutway Guitar Magazine

Cutway Guitar Magazine

www.cutawayguitarmagazine.com

Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius empezaron las actividades de su dúo en 2013. Desarrollaron técnicas de arreglos, composición, improvisación e interacción musical, utilizando para ello, sólo dos guitarras acústicas con cuerdas de entorchado plano. Trabajaron su repertorio a través de composiciones propias donde caminan por ambientes como la balada, la bossa nova, el jazz y el groove. La mayoría de las obras musicales compuestas por el dúo demuestran gran originalidad y no se encuadran en géneros y estilos musicales ya demasiado conocidos. Poseen un álbum grabado en 2014 y lanzado en 2015 con el título “Novos Caminhos” que contiene 12 temas instrumentales, donde exploran con diferentes timbres e improvisan para construir dichos temas.

CD 'Novos Caminhos' no blog do Gustavo Cunha

Gustavo Cunha

www.gustavoccunha.blogspot.com.br

Será que, necessariamente, precisamos nos guiar por novas direções para encontrar novos caminhos? Quando a assunto é Música, outros elementos se juntam nesta jornada, e um é extremante essencial - a criatividade, que, a cada ideia, nota ou acorde, nos leva a um universo sem limites e sem fronteiras. São coisas que só a arte da música pode proporcionar.

E foi pensando Música que os guitarristas Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta resolveram somar todas estas variáveis e lançar o álbum "Novos Caminhos", um duo de guitarras acústicas com repertorio autoral. O mundo do Jazz sempre nos presenteou com grandes registros de duos de guitarras pelas mãos de Joe Pass e Joe Pisano, Bucky Pizzarelli e Howard Alden, Tal Farlow e Philippe Petit, entre outros; sem citar dos inúmeros encontros acompanhados de seção rítmica. "Novos Caminhos" é inspirado na diversidade de formas e estilos, carregando influências sem deixar de ser original. Aqui, as guitarras acústicas são as protagonistas - no canal direito está Ivan Barasnevicius, no canal esquerdo está Rodrigo Chenta, linhas paralelas que, de alguma forma, se encontram no infinito



CD 'Novos Caminhos' no blog do Celso Barbieri

Antonio Celso Barbieri

www.celsobarbieri.co.uk

Esta colaboração entre Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius gerou um álbum tranquilo e equilibrado chamado Novos Caminhos onde a faixa de abertura homônima nos brinda com uma introdução intimista que levou-me imediatamente para a varanda tranquila de uma casa imaginária em um campo cercado de verde por todos os lados, tudo dentro de um clima bem familiar. Muito embora as músicas deste álbum perambulem por estradas e caminhos diferentes, o jazz, está sempre presente e diluído em quantidades homeopáticas!

CD 'Novos Caminhos' no site Informação Musical

Informação Musical

www.informacaomusical.com (Redação)

Este é o primeiro álbum deste duo de guitarras acústicas e já causa bons arrepios em quem gosta de harmonias sofisticadas, rítmicas ousadas e timbres bastante diferenciados. Ao ouvir este trabalho se tem a impressão de estar na mesma sala onde foi gravado. Consta de composições autorais divididas entre Chenta e Barasnevicius que assinam juntamente os arranjos. Algumas, dificilmente se enquadram em gêneros musicais conhecidos e outras já caminham pela bossa nova, balada, funk, jazz, etc. Os solos improvisados demonstram muita interação musical.

CD 'Novos Caminhos' no blog Pauliceia do Jazz

Pauliceia do Jazz

www.pauliceiadojazz.com.br (Luis Delcides)

"Fazer música. Apenas. Essencialmente. Separar um tempo, silenciar e deixar os sons, os acordes vir ao coração e apenas tocar. Dessa forma, os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius apresentam Novos Caminhos, o novo trabalho, gravado ...". "No álbum virtual, a dupla apresenta doze faixas com composições próprias. Uma oportunidade de conhecer timbres limpos e o toque bem refinado do duo de guitarristas. Um trabalho com toda a variação rítmica brasileira, influências da música internacional e com clareza melódica. Novos Caminhos é um convite para prestar atenção e apreciar os timbres das guitarras, com uma linguagem contemporânea e a sonoridade clara e sem ruídos de Rodrigo e Ivan.



CD 'Novos Caminhos' na revista SL Music Magazine

SL Music Magazine

www.slmusicmagazine.com (Mariana Sayad)

Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius Duo acabam de lançar o CD Novos Caminhos. Os dois guitarristas registraram 12 faixas autorais de música instrumental. O trabalho foi lançado somente em formato digital.

CD 'Antítese' no depoimento de Rodrigo Vettorazzo

Rodrigo Vettorazzo

www.informacaomusical.com (Impressões)

O título do álbum pode, intencionalmente ou não, sugerir ser a justificativa à proposta sonora apresentada. Duos de guitarras não são muito comuns, porém, o que deveras configura o primeiro disco do duo de Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius como nova possibilidade de caminho à música brasileira é o tanto de características originais e possibilidades manifestas.

Surgir como "novo caminho" pode causar a expectativa de escutar um trabalho quase experimental, timidamente indefinido, quase uma aventura musical que não se sabe bem aonde vai desaguar. Não é o caso: trata-se de um álbum seguro e vigoroso no que se propõe. Os vários meses de pesquisa e preparação para que Rodrigo e Ivan dessem forma e delineassem as ideias tiveram como resultado um disco que adjetivaria como "ensolarado" e "urbano".

A faixa que abre o álbum e a vida do duo é a própria "Novos Caminhos", com um dedilhado levemente triste pela primeira guitarra e uma frase marcante sob o próprio tocada pela segunda. É o carro-chefe e a amostra do que serão esses novos caminhos agora abertos: duas guitarras perceptíveis e diferenciadas entre si, o som da palheta e o da mão batendo nas cordas não como acidentes e sim como integrantes. A extensão percorrida por esta faixa é longa e abrangente, "parando" em diversos locais desses caminhos para conhecê-los, até deparar-se aos cinco minutos da música com o tema principal se repetindo e encerrando o itinerário.

Há um certo deslumbramento nesta faixa de abertura atrelado a uma serenidade. O clima ocasionado se mantém na segunda, "Serra do Cafezal parte 3", composição de Ivan. Tal serra presente na rodovia que liga São Paulo ao Paraná nomeia também a faixa "Serra do Cafezal parte 1", que se diferencia da primeira sendo um tanto mais animada e com uma frase no "refrão" graciosamente cantável e que facilmente fica na cabeça.

Ao conversar com Ivan a respeito de tais faixas mencionei que a parte 3 e a "Novos Caminhos", em sequência abrindo o álbum, me fizeram pensar numa pessoa de cidade grande visitando o campo, contemplando paisagens naturais e o sossego - afinal, muito diferente a estes lugares será o olhar vindo de uma pessoa que mora em uma selva de concreto comparado ao de alguém que já vive em meio ao verde. Ivan surpreso ficou e revelou que a composição batizada com o nome da região serrana foi concebida em frente a uma cachoeira, exatamente durante uma viagem de férias ao interior e de afastamento temporário da vida metropolitana.

"Sente o sete" e "Contrastes" sugerem ser irmãs. São diferentes uma da outra mas são faixas nas quais hão mudanças bastante notáveis ao longo dos poucos minutos que duram, mais curtas que as demais. Quase fazem jus à expectativa mencionada de som experimental e aventureiro.

Se apenas um local é citado no álbum todo - Serra do Cafezal, um "caminho" encontrado pra quem cruza a BR 116 -, mulheres são três as presentes no CD.

A primeira mulher a aparecer é qualificada como "brava", em composição feita por Rodrigo Chenta quando conheceu a mulher que viria futuramente a se tornar sua esposa. A faixa começa bastante doce, podendo facilmente servir de trilha ao clássico momento que todos passam ao menos uma vez na vida do amor à primeira vista - o momento em que se avista pela primeira vez uma pessoa que, por algum motivo inclassificável, faz as demais ao redor ficarem em marca d'água. O contentamento com o acaso por este ter feito vossos passos coincidirem perfeitamente e estarem ali, no mesmo local e na mesma hora. Porém, após a breve introdução de menos de um minuto, a música arrebata e se modifica, acelerando, ganhando ares de folia e agitação, sonoridades que se mostram possíveis em meio aos tantos caminhos das duas guitarras. Seria tal mudança uma representação da surpresa que o "eu lírico" da música teve com a mulher que lhe causou o encanto à primeira vista, revelando esta uma braveza inesperada? Quem sabe... Mesmo a música desviando a um clima mais festivo, não perde a ternura.

A mulher brava também é agraciada em "Minha neném", uma bossa bastante simpática e de tom mais delicado que a outra faixa em sua homenagem. Se na outra o tom dançante é de festa, já nesta é para dançar a dois num bailinho.

A segunda mulher do álbum é na verdade uma menina, a filha de Ivan Barasnevicius que empresta teu nome à cativante faixa "Tema para Pietra". Sabendo que Pietra é uma criança o ouvinte poderia esperar uma música com sonoridade puxada ao infantil, mas como (e não apenas por isso) esta é uma obra de caminhos novos, o caminho escolhido a esta composição também não foi o provável. É uma música de levada funkeada, divertida e que está entre as que mais surpreende pelo fato de possibilitar tantos sons a partir de duas guitarras apenas. Uma curiosa tendência deste que vos escreve ao ouvir esta música é, em alguns momentos, "enxergar" diversas luzes pequenas acendendo e apagando, numa espécie de "giro", um carrossel. Toda a animação se encerra primorosamente com uma canção de ninar, sacada genial que me fez questionar o Ivan se tratava-se realmente disso - "é isso mesmo", o próprio certificou.

"Inocência", que no álbum antecede o tema composto à pequena Pietra, dialoga com o assunto infância e pós infância. É uma faixa que a mim em particular acabou tendo um grande montante na época em que a escutei pela primeira vez. Estava melancolicamente surpreso como o passar do tempo e o tanto que o mesmo deturpa aqueles a quem há pouco viam o mundo como um local legal a ser descoberto. Os locais costumam ter maior resistência a continuarem como são. Os humanos não. Esta música traz todo o tom ingênuo, puro e singelo que o passar do tempo teima em levar dos que não se corromperam com o mundo dos grandes e não inocentes.

Por fim a terceira e última mulher, tendo esta o atributo de encerrar o álbum, é a mãe de Ivan Barasnevicius. "Valsa para Ana" possui variados temas memoráveis, do tipo que se for escutada em uma apresentação do duo ao vivo logo será identificada. A composição segue linha coerente nos quase cinco minutos, com um final em que as guitarras ganham força e se dizimam numa despedida sutil.

"Novos" e "caminhos" são os dois termos que intitulam tal obra. A palavra "caminhos" surgiu diversas vezes ao longo destas impressões, revelando escolhas do duo, um lote rodoviário citado no álbum e o próprio percurso. Já o vocábulo "novos" intervém não apenas na proposta musical inédita trazida para travessia pelo duo, mas também no perceber que este é um daqueles álbuns que, independente de quando for escutado, sempre soará "novo".

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